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Cabo denuncia fraude em verbas secretas e manipulação de áudios no MPE de MT

Postado em 15/07/2019 por

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O cabo da Polícia Militar Gerson Correa Júnior relatou 9 fatos que apontam a participação de membros do Ministério Público do Estado (MPE-MT), e também magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), no esquema de interceptações telefônicas ilegais conhecido como “Grampolândia Pantaneira”. De acordo com um despacho do último dia 5 de julho do Procurador de Justiça, e coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária Criminal (Naco), do MPE-MT, Domingos Sávio de Barros Arruda, as informações constam de um procedimento administrativo, interposto pelo cabo PM Gerson Correa, onde o policial militar solicita a realização de um acordo de colaboração premiada com o órgão ministerial.

Dentre os documentos e provas trazidos pelo PM, o parecer revela a existência de “manipulação seletiva de áudios e vídeos” em operações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), coordenado pelo MPE-MT, além da omissão de resultados de auditoria do Guardião – um sistema oficial utilizado pelo Gaeco para a realização de interceptações telefônicas no âmbito de investigações do órgão. Gerson Corrêa também revela a expedição de ordens de serviço pelos promotores do Gaeco para promover a “reunião de dados no intuito de dar regularidade” das informações obtidas nas interceptações telefônicas.

O cabo PM também aponta uma suposta “verba secreta” que teria beneficiado o Gaeco. Além destes fatos, Gerson Correa também apontou um suposto conluio entre promotores e procuradores de Justiça, e juízes do Poder Judiciário Estadual, em escutas ilegais realizadas nas operações “Metástase”, que teve como alvo o ex-deputado estadual José Riva, e também nas operações “Arqueiro” e “Ouro de Tolo”, que chegou a prender a ex-primeira dama de Mato Grosso, Roseli Barbosa. 

Em seu despacho, entretanto, o procurador de Justiça Domingos Sávio de Barros Arruda apontou que a maior parte das informações trazidas pelo policial militar não são inéditas, além de explicar que Gerson Correa realizou várias “conjecturas” e “insinuações”. Ao final, ele negou o pedido de acordo de colaboração premiada. “Diante disso pergunta-se: como celebrar um negócio jurídico com o requerente se, ao final e ao cabo, os elementos por ele trazidos não terão resultado útil algum em eventual Ação Penal? Por que seria interessante ao Ministério Público concordar com a concessão de um benefício ao delator, prestes a ser condenado, em vista do pouco – e inverossímil – que por ele é oferecido?”, questionou o procurador.

GRAMPOLÂNDIA

O esquema de interceptações telefônicas ilegais em Mato Grosso ganhou as manchetes dos meios de comunicação após a veiculação de duas reportagens do programa Fantástico, da Rede Globo, que foram ao ar em maio e julho de 2017. Jornalistas, médicos, advogados, políticos e até uma amante do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, sofreram interceptações telefônicas clandestinas que teriam sido feitas por policiais militares.

De acordo com as investigações a alta cúpula da gestão do ex-governador Pedro Taques, bem como oficiais de prestígio na PM – como coronéis e tenentes-coroneis -, estariam envolvidos na prática criminosa. Há a suspeita de que promotores e procuradores de Justiça, bem como juízes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, também estariam envolvidos em escutas ilegais de modo a “viabilizar” investigações e ações judiciais.

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