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Em 3 meses, todos pacientes com Covid em UTI de hospital de Sinop morreram

Postado em 15/01/2021 por

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Todos os pacientes com sintomas graves da Covid-19, que entraram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Sinop (a 500 km de Cuiabá) desde outubro, não saíram com vida da unidade. É o que aponta um relatório do Observatório Social Mato Grosso, uma organização voltada na luta da transparência dos gastos públicos. Por trás das mortes, está a precariedade do serviço ofertado por uma empresa contratada pelo Governo para gerir os leitos intensivos, com falta de equipamentos e médicos sem especialidade que atuam em plantões de 120 horas.

Segundo o relatório do Observatório, a mortalidade é excessivamente alta desde outubro, em comparação com os números dos demais hospitais do Governo. O percentual de cura em pacientes vai a zero e, ao mesmo tempo, a taxa de mortalidade vai para 100% dos que entram na unidade. Os demais estabelecimentos de saúde a cura variou entre acima de 20% e abaixo de 40%, e a morte abaixo de 80%.

Os dados usados para a análise foram retirados do Painel Covid do próprio Governo e cruzados com outros números do Ministério da Saúde.

Para o Observatório, parte das mortes se explica pelo contrato que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) mantém com a empresa Mediall. A organização alertou a pasta em setembro de 2019 sobre irregularidades no cumprimento do serviço, após analisar os processos de pagamentos. “Mas, mesmo com a mortalidade altíssima na UTI covid Sinop, a gestão insiste em manter e renovar tais contratos com a mesma empresa”, aponta.

A empresa é responsável por conduzir as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Sinop. Contudo, o Observatório relata que, naquela primeira análise, o Governo paga a empresa “sem nenhuma exigência de indicadores de qualidade no atendimento”. Eles identificaram diversas irregularidades a partir de denúncias que recebeu de profissionais.

A organização identificou também que dos três médicos que atualmente atuam na UTI, nenhuma tem especialidade em medicina intensiva. “Então notificamos o governador pedindo que incluísse um médico intensivista altamente qualificado e voluntário do Observatório nessa comissão. No dia 13 de janeiro recebemos a resposta recusando a ajuda”, relata.

Dentre outras irregularidades, estão UTI em funcionamento sem registro de responsabilidade técnica no Conselho Regional de Medicina, profissionais realizando plantões seguidos de 60 e até 120 horas (cinco dias seguidos) e falta de insumos e equipamentos mínimos necessários para funcionamento de leito intensivo.

Na ocasião, o Observatório notificou o governador Mauro Mendes (DEM) extrajudicialmente para cancelar o contrato com a empresa e gerir diretamente os leitos de UTI do hospital. A recomendação não foi seguida e a organização vê que não há vontade política para encerrar o acordo. Por isso, abriu denúncia em outras instâncias, como na Polícia Federal, Ministério Público e Conselho Regional de Medicina.

O Governo não soube apontar ao Observatório o motivo do porquê 100% dos pacientes morrem na unidade. A organização protocolou uma denúncia junto à SES, que montou uma comissão para apurá-la. Mas, segundo o relatório, não houve resultado e o prazo de conclusão foi prorrogado.

Outro lado

Por meio de nota, SES afirmou que informação não é verdadeira e que foi criada uma comissão para apurar detalhadamente cada prontuário dos pacientes que foram hospitalizados nas UTIs do Hospital Regional de Sinop.

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