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Informante narra extorsão em saque de R$ 45 mi; ex-mulher de Savi era vítima

Postado em 09/06/2021 por

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O ex-servidor público Domingos Sávio Alberto de Sant’Ana narrou ao Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) um caso de extorsão envolvendo um saque de R$ 45 milhões de uma igreja de São Paulo. Em depoimento dado aos promotores de Justiça, ele relata que uma ex-esposa do ex-deputado Mauro Savi estaria envolvida na negociação para o saque, possivelmente sendo vítima do grupo.

Domingos Sávio foi preso na Operação Renegados, que investigou uma possível organização criminosa liderada por policiais e ex-policiais civis. Prestou depoimento ao Gaeco no dia da prisão, em 6 de maio, e confessou ter atuado como informante dos supostos criminosos, tendo dado dicas de pessoas que poderiam ser extorquidas para pagar o “arrocho”.

As informações prestadas pelo ex-servidor confirmam um dos casos narrados pelo Ministério Público Estadual (MPE) na denúncia oferecida contra o grupo. A documentação foi obtida pelo .

No depoimento, Domingos conta que recebeu uma ligação de Jovanildo Augusto da Silva, o “Jova”, também informante do grupo e que era conhecido dele. O homem contou que, em 24 de junho de 2020, o ex-policial Hairton Borges Júnior, o “Borjão”, afirmou que havia um grupo de pessoas que iria fazer um saque de dinheiro no Banco do Brasil. Os criminosos pretendiam faturar R$ 20 mil, mas teriam recebido um total de R$ 30 mil de acordo com a denúncia do MPE.

ReproduçãoReunião em mercado e hotel para extorsão - Operação Renegados

Reunião no Extra foi gravada por um dos delatores do caso

Domingos Sávio conta sobre uma reunião no supermercado Extra, na avenida Fernando Correa, onde se encontrou com Ananias Santana da Silva, o “Negão”. Jovanildo ligou dizendo que estava com uma mulher identificada como Cárita Maria Pereira Alves e uma outra senhora, ex-mulher de Mauro Savi, que ele não identifica pelo nome. Também partiparam da reunião outros dois homens: Wilson dos Santos e um outro, do Maranhão, também não identificado.

Eles informaram que precisavam sacar R$ 45 milhões da conta de uma igreja de São Paulo, tendo mostrado o extrato da conta da empresa com saldo de mais de R$ 300 milhões. Uma documentação lavrada em Chapada dos Guimarães assinada pelos pastores da igreja dava poderes para sacar o dinheiro. Os homens acreditavam que Domingos era funcionário do banco.

“Que o interrogando após informar que não tinha como sacar tais valores, saiu do local com Cárita, a senhora que estava com Cárita e Jovanildo, tendo Cárita no carro perguntado se o interrogando não sabia de ninguém que poderia auxiliar nesse saque, oportunidade que o interrogando disse que não trabalhava de graça, tendo Cárita naquele momento entregue R$ 2,5 mil ao interrogando para auxiliar na busca de alguém que pudesse auxiliar no saque dos valores”, diz trecho do depoimento.

O valor recebido naquele momento foi dividido em quatro, entre Borjão, Ananias e Jovanildo, além do próprio Domingos. Eles foram ao estacionamento do Banco do Brasil na Fernando Corrêa, de frente para a UFMT. Disseram por telefone a Cárita que estavam dentro do banco realizando o saque, o que era mentira.

ReproduçãoReunião em mercado e hotel para extorsão - Operação Renegados

Resposta do Hotel Serras mostra ida dos policiais para extorquir homem identificado como Wilson dos Santos

“Nesse momento vislumbravam uma viatura caracterizada, acreditando ser uma Pálio Weekend, abordando a pessoa que o interrogando havia conversado no Extra Supermercado que se identificou como Wilson, que na viatura acredita que estavam dois policiais, mas se recorda que a abordagem foi efetuada por uma mulher com camisa da polícia, portando arma de fogo, tendo colocado Wilson dentro da viatura e saído do local”, conta no depoimento.

Domingos afirma gritou que a polícia tinha abordado Wilson, mas Ananias e Jovanildo falaram que era “o pessoal deles”. Wilson foi levado ao Hotel Serras, em Cuiabá, onde ele o outro homem do Maranhão, além de um terceiro identificado como Nelson, foram interrogados.

Nelson era cliente do advogado Hélio Passadore, que teria intermediado a negociação. Ananias disse que os policiais fizeram acordo para pagamento de propina, fechado no escritório do advogado.

“Que Ananias disse que foi Borjão que entrou no escritório para fazer o acordo com Nelson, sendo que as pessoas abordadas no hotel teriam sido conduzidos até o escritório de Hélio Passadore de viatura, sabendo que foram conduzidos ao escritório a pessoa chamada Wilson, o homem do Maranhão, Cárita e a senhora (ex-mulher de Mauro Savi), e Nelson, enquanto Ananias aguardou do lado de fora do escritório”, relata.

Cárita e a ex-mulher de Savi teriam dado um cheque de R$ 10 mil, dividido entre Borjão, Ananias e o policial Alan Cantuário Rodrigues, de acordo com o depoimento.

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